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Tens também um sorriso muito especial e raro, tranquilo, satisfeito, acolhedor, e que pode fazer feliz aquele a quem se destina. Não me recordo de alguma vez na minha infância me ter sido concedido um sorriso assim, mas deve ter acontecido. Por que razão me irias tu negá-lo naquela altura, quando eu ainda te parecia ser inocente e era a tua grande esperança? Aliás, impressões mais agradáveis como essa, com o passar do tempo, só conseguiram aumentar o meu sentimento de culpa e tornar-me o mundo ainda mais incompreensível.
Kafka, Franz; Carta ao Pai; Edições Quasi; 2008
Tradução: João Barrento
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on sexta-feira, 19 de março de 2010
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Telemaquia: Prosa com Direito de Resposta
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