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V Encontro de Música Tradicional Minhota

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Festival da Máscara Ibérica

Posted by Anónimo in ,

V Desfile da Máscara Ibérica
22 de Maio, 16h30
– Praça do Município, R. Augusta, Rossio

Revista Lusitana - Nova Série

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Estão já disponíveis em formato pdf os 10 primeiros números da Revista Lusitana - Nova Série, editada pelo Centro de Tradições Populares Portuguesas Manuel Viegas Guerreiro.

"Doba, doba, dobadoira"

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Ilustração de Catarina Fonseca
In VIEIRA, Alice, Eu bem vi nascer o Sol: Antologia da poesia popular portuguesa, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994, p. 88.

Frases que nascem nas pedras

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Qual é a terra, qual é ela...?

O Judas teve sarampo e eu tive escarlatina

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Gaiteiros de Lisboa - O Judas teve Sarampo

Barba sin tiempo

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Habie un rapaç que yá muito tiempo que namoraba cula moça i treminou a pedir-se-la al pai. L pai de la moça quando l biu dixo-le:.
- Ni penses an casar-te cula mie filha. Purmeiro arranja barba i apuis ben a falar cumigo..
L rapaç alhá se fui mui triste pus inda nun tenie barba. Anton agarrou un xeixo dua ribeira i passaba ls dies a sgodar la cara cul xeixo a ber se le salie la barba. Tanto sgodou, tanto sgodou, que alhá le saliu la barba. Fui-se anton outra beç a tener cul pai de la moça, que le dixo:.
- Cumo yá tenes barba, yá te puodes casar cula mie filha..
Eilhes alhá se casórun. Mas nun tenien nada i nin un nin outro ganhaba. Naqueilha casa nun habie nada de comer nin de buer. Por esso passában ls dies mui tristes. I dezie l rapaç:.
- Nuites alegres, manhanas tristes, barba sin tiempo pa que nacistes.
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Carlos Ferreira, Cuntas que me Cuntórun, seguidas de l Gato de las Botas.

Os laboraré yo un pendón

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Agora baixou o sol, louvado seja o Senhor!
Eu casei com uma donzela, filha é dum lavrador.
Joguei tudo o que ela tinha, tudo quanto nos deu o Senhor;
Desde que joguei o que tinha, aprendi a podador;
Depois da vinha podada, esvida-a tu, ó meu amor.
Tenho os dedos delgadinhos, mas não é para esvidar, não.
-- Ó meu amor, se tu fores à feira de Aragão,
traz-me agulhas e linhas para bordar um pendão.
Para onde quer que tu fores, não haverá outro melhor:
Numa ponta há-de ter a lua e noutra os raios do sol,
Lá no meio disso tudo terá Cristo Redentor.


- Versão de Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal). Documentada em ou antes de 1960. Publicada em Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 263. Reeditada em RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1364, pp. 120-121. © Fundação Calouste Gulbenkian. 022 hemist. Música registrada.
- Acessível na base de dados do Proyecto sobre el Romancero pan-hispánico, da Universidade de Washington.

Nossa Senhora Tecedeira

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Encontrei Nossa Senhora no portal de Belém,

fiando numa roquinha; Jesus, que nela está bem.

A roquinha era d'oiro, o fuso de prata fina:
O fio qu'ela fiava era de glória divina;

O pano qu'ela tecia ia vendê-lo às feiras.

Comprai, meninas, comprai, que a Virgem é tecedeira.

Tecedeira de bom pano, tem seu tear à janela;
Leva Jesus pintado na ponta da lançadeira.


- Versão de Vila da Calheta (c. Calheta, ilha de S. Jorge, Açores, Portugal). Recitada por Amélia Hermínio Azevedo Almeida (70a). Recolhida por Manuel da Costa Fontes, 16/07/1977 (Arquiivo: ASF; Colec.: Fontes SJ 1977). Publicada em F.E.R. L-B. S. Jorge 1983, 267. Reeditada em Costa Fontes 1997b, Índice Temático (© HSA: HSMS), p. 257, U8. 016 hemist. Música registrada.
- Acessível na base de dados do Proyecto sobre el Romancero pan-hispánico, da Universidade de Washington.

O que será do Museu de Arte Popular?

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Museu de Arte Popular mudou de casa

09. 07. 2009 - Ana Machado - Público
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É a primeira vez que o espólio de um museu muda de casa, para dentro de outro. Foram nove meses para fazer a mudança do Museu de Arte Popular, fechado desde 1998. Quando se poderá visitar a colecção? Será que vai voltar à antiga casa?
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Joaquim Pais de Brito não se lembra de alguma vez ter acontecido uma coisa destas. O espólio inteiro de um museu totalmente transferido para outro museu. Aconteceu com o Museu de Arte Popular, em Lisboa. Todos os objectos, que representam a mostra da arte popular produzida de norte a sul do país, reunida pela vontade de António Ferro durante os anos 40, em plena ditadura, foram transferidos para o Museu Nacional de Etnologia, também em Lisboa, de que Pais de Brito é director. "Sabia-se que o museu estava em obras, que tinha infiltrações, que o quadro de electricidade estava em mau estado, que não havia filtros anti-raios UV nas janelas nem alarme", disse ao P2. "Havia que criar condições."
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A ordem para proceder aos trabalhos para acolher o espólio do Museu de Arte Popular (MAP) no Museu Nacional de Etnologia (MNE) chegou à sua secretária em 2006. "Fui informado em Outubro e fiz questão de ditar as minhas condições: impedir a perda de informação, não dispersar as colecções e proceder a um inventário rigoroso sobre tudo o que havia no museu, com registo fotográfico, o lugar onde pertencia, a sua proveniência, tudo. Pedi ainda para que ficasse registado o estado de conservação das peças e que nos fosse garantido orçamento para arranjar espaço próprio para receber o espólio no Museu de Etnologia e para que tivesse uma equipa de seis pessoas dedicada ao trabalho."
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Condições aceites, a mudança começou. "Fez-se o trabalho mais notável que este museu já fez. Havia uma grande responsabilidade intelectual e pessoal. Este foi um acontecimento muito raro. Tinha de ser um trabalho consolidado, qualquer que fosse o objectivo da mudança. Mas nem sequer se me colocou a questão de não continuação do Museu de Arte Popular!", exclama Pais de Brito, que coordenou os trabalhos, recordando que já tinha acompanhado um processo idêntico em França, quando o Museu de Arte e Tradições Populares foi integrado no grande Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha.
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O MNE tornou-se, assim, guardião de um tesouro no meio de uma polémica: intelectuais e figuras ligadas à museologia defendem o regresso do espólio ao espaço original, o edifício do Museu de Arte Popular, junto ao Tejo, tendo para isso reunido num abaixo-assinado já mais de 4300 assinaturas. O Ministério da Cultura reclama o espaço da frente ribeirinha para fazer nascer um novo espaço, o Museu Mar da Língua Portuguesa, apresentado ainda durante o mandato da anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.

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Dia da Espiga: 21 de Maio

Posted by C. in ,

A Quinta Feira da Espiga
Fonte: A Página da Educação - Autor não identificado.


O fenómeno de revitalização vegetativa, em que a natureza após a longa letargia invernal acorda, desabrochando numa sinfonia de vida, constituiu sempre para as populações arcaicas, um momento mágico e determinante da visão cósmica da existência.

Momento aguardado com a ansiedade das perspectivas de novas colheitas mas, igualmente despoletador de dúvidas acerca da sua efectiva realização, este é o tempo em que chega a Primavera. Tempo sagrado, como todos os tempos de transição, nele se efectuavam, em épocas passadas, diversos cerimoniais cujas funções exprimiam a comemoração festiva do eclodir primaveril e, algumas vezes até, rituais de expulsão simbólica do Inverno que terminava.

Neste sentido, realizaram-se durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, grandiosos festivais florais em que jovens nubentes se espalhavam pelos campos e, em alegre convívio cantavam e dançavam, e se enfeitavam com verduras e flores, num ritual ancestral de que o nosso “dia da espiga” constitui herdeiro directo, embora minorado.

Poder-se-á dizer, então, que fazendo parte deste ciclo festivo da Primavera, a Quinta Feira da Ascensão, ou “da espiga”, corresponde à cristianização de um complexo de festividades pagãs ligadas à celebração e consagração da natureza. De facto para as sociedades primitivas, a regeneração vegetal, de que a agricultura é função, está dependente, em grande parte, das boas ou más vontades divinas e, em última instância, da maior ou menor fertilidade da terra-mãe.

Não é portanto de admirar que este tempo vital, expresso no renascer das plantas, no desabrochar das árvores e na proliferação das flores e frutos, desencadeasse grandes manifestações de alegria, em que jovens se dirigiam para os campos, para aí, em comunhão com a natureza, festejarem e, naturalmente, adquirirem também eles as energias fecundantes que nesta altura fluíam em profusão.

Mas o “dia da espiga” era também o “dia da hora”. Herdeiro de simbolismos primevos, este era um tempo particularmente sagrado. Um tempo por muitos considerado “o dia mais santo do ano”, em que se não devia trabalhar e em que “nada bulia”, em que as transgressões referentes ao trabalho se revelam estranhamente ineficazes, quando não se manifesta até outro tipo de sanção mais radical. Avultava, aí, uma hora em que as coisas possuíam especiais valências e singulares transcendências... o meio-dia! Essa é a hora em que os “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” configurando assim, devotadamente, o sinal da cruz”! De sacralismo tão intenso que, como se crê, na zona do Vale do Tejo, nem os “passarinhos vão ao ninho”! Ao meio-dia se deviam, então, colher as ervas que iam ser utilizadas na farmacopeia popular durante todo o ano. Ao meio-dia se deviam preferencialmente colher os diversos raminhos que no seu conjunto constituíam a “espiga”, temporalidade que por razões funcionais foi, em muitas zonas, caindo em desuso.

É um tempo prodigioso, eivado de proibições e obrigações. Nalgumas aldeias acreditava-se que não se podia, nesse dia, cozer pão. Noutras, pelo contrário, o pão cozido era sagrado, mantendo-se incorrupto até ao ano seguinte. Em Alenquer, por exemplo, o leite ordenhado nesse dia não se vendia, dava-se, já que a realização de negócios, mesmo os mais simples, constituía mau presságio. Em casa “a espiga” era, e é, guardada atrás da porta ou junto da imagem de particular devoção. A mera existência numa habitação desse simples raminho, constitui poderoso e multifacetado amuleto. Para dar saúde, alegria e abundância e, especialmente, para que nessa casa nunca faltem os indispensáveis azeite e pão! Aliás, o seu sentido propiciatório era, em tempos idos, evidente e diversificado. Quando das trovoadas, um bocado posto a arder à lareira afastava os raios e oferecia protecção eficaz contra a tormenta.

A este tempo estavam ainda ligadas as oferendas das “primícias” e as “benções dos campos”, nos nossos dias, por razões funcionais, de contornos institucionais mais ou menos litúrgicos e de temporalidade mais variada. Em muitas zonas do país, costumavam-se soltar, durante a missa, grupos de andorinhas que, paciente e delicadamente, se tinham apanhado nos dias anteriores, adornadas as mesmas com coloridas fitinhas e lacinhos vermelhos. Enfim, sejam ou não vistos, hoje, numa perspectiva canónica, fazendo ou não parte do imaginário popular, estas tradições que comemoram o desabrochar da Primavera são sempre tempos especiais na temporalidade mística das populações rurais mediterrâneas e, na sua coexistência com o sacralismo da terra-mãe, hierofania exemplar da sua relação com a esfera do sagrado.

É o milagre da vida, que se renova periódica e inexoravelmente todos os anos. Da terra prenhe eclodem os frutos naturais. Semente divina, condição de sobrevivência, dádiva da fertilidade que as massas urbanas apenas, hoje, apreciam à distância!

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Observação: O Dia da Espiga não tem uma data fixa; comemora-se 40 dias depois da Páscoa.