E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois, importa que seja solto por um pouco de tempo.
Apocalipse; 20-3
Algumas questões:
a) Por que é que o último livro de José Saramago põe toda a gente a ler, mesmo nos sítios mais inacreditáveis, como na esplanada do Chimarrão enquanto se servem vacas importadas do Brasil a fumegar num espeto?
b) Por que é que o último livro de José Saramago permite aos trabalhadores da Fnac porem em prática todas as suas competências em design de interiores, de forma a que o cliente não só saiba que o romance lidera o top dos mais vendidos, mas para que o saiba também da seguinte forma:
C
A
I
M,
sendo que cada letra corresponde a um livro, disposto num expositor com quatro prateleiras.
c) Por que é que o último livro de José Saramago lembrou às senhoras que gastam uma embalagem de laca Vidal Sassoon todos os Domingos de manhã, antes de irem para a Eucaristia Dominincal, que afinal existe uma Bíblia Sagrada, não apenas o Missal Romano, que a Bertrand até tem uma nova edição com umas badanas especias-tipo-papel-vegetal, como quem diz, que a Bíblia é de leitura transparente para todo o público crente e não-crente, com excepção para José Saramago, dado que a graduação dos seus óculos já não lhe permite distinguir versículos ao de leve camuflados na brancura de badana tão cintilante?
d) Caim que nem um patinho?
a) Por que é que o último livro de José Saramago põe toda a gente a ler, mesmo nos sítios mais inacreditáveis, como na esplanada do Chimarrão enquanto se servem vacas importadas do Brasil a fumegar num espeto?
b) Por que é que o último livro de José Saramago permite aos trabalhadores da Fnac porem em prática todas as suas competências em design de interiores, de forma a que o cliente não só saiba que o romance lidera o top dos mais vendidos, mas para que o saiba também da seguinte forma:
C
A
I
M,
sendo que cada letra corresponde a um livro, disposto num expositor com quatro prateleiras.
c) Por que é que o último livro de José Saramago lembrou às senhoras que gastam uma embalagem de laca Vidal Sassoon todos os Domingos de manhã, antes de irem para a Eucaristia Dominincal, que afinal existe uma Bíblia Sagrada, não apenas o Missal Romano, que a Bertrand até tem uma nova edição com umas badanas especias-tipo-papel-vegetal, como quem diz, que a Bíblia é de leitura transparente para todo o público crente e não-crente, com excepção para José Saramago, dado que a graduação dos seus óculos já não lhe permite distinguir versículos ao de leve camuflados na brancura de badana tão cintilante?
d) Caim que nem um patinho?
Si linguis hominum loquar et angelorum, caritatem au tem non habeam, factus sum velut aes sonans aut cymbalum tinniens.
Et si habuero prophetiam et noverim mysteria omnia et omnem scientiam, et si habuero omnem fidem, ita ut montes transferam, caritatem autem non habuero, nihil sum.
Et si distribuero in cibos omnes facultates meas et si tradidero corpus meum, ut glorier, caritatem autem non habuero, nihil mihi prodest.
Caritas patiens est, benigna est caritas, non aemulatur, non agit superbe, non inflatur, non est ambitiosa, non quaerit, quae sua sunt, non irritatur, non cogitat malum, non gaudet super iniquitatem, congaudet autem veritati; omnia suffert, omnia credit, omnia sperat, omnia sustinet.
Caritas numquam excidit. Sive prophetiae, evacuabuntur; sive linguae, cessabunt; sive scientia, destruetur.
Ex parte enim cognoscimus et ex parte prophetamus; cum autem venerit, quod perfectum est, evacuabitur, quod ex parte est. Cum essem parvulus, loquebar ut parvulus, sapiebam ut parvulus, cogitabam ut parvulus; quando factus sum vir, evacuavi, quae erant parvuli.
Videmus enim nunc per speculum in aenigmate, tunc autem facie ad faciem; nunc cognosco ex parte, tunc autem cognoscam, sicut et cognitus sum.
Nunc autem manet fides, spes, caritas, tria haec; maior autem ex his est caritas.
Et si habuero prophetiam et noverim mysteria omnia et omnem scientiam, et si habuero omnem fidem, ita ut montes transferam, caritatem autem non habuero, nihil sum.
Et si distribuero in cibos omnes facultates meas et si tradidero corpus meum, ut glorier, caritatem autem non habuero, nihil mihi prodest.
Caritas patiens est, benigna est caritas, non aemulatur, non agit superbe, non inflatur, non est ambitiosa, non quaerit, quae sua sunt, non irritatur, non cogitat malum, non gaudet super iniquitatem, congaudet autem veritati; omnia suffert, omnia credit, omnia sperat, omnia sustinet.
Caritas numquam excidit. Sive prophetiae, evacuabuntur; sive linguae, cessabunt; sive scientia, destruetur.
Ex parte enim cognoscimus et ex parte prophetamus; cum autem venerit, quod perfectum est, evacuabitur, quod ex parte est. Cum essem parvulus, loquebar ut parvulus, sapiebam ut parvulus, cogitabam ut parvulus; quando factus sum vir, evacuavi, quae erant parvuli.
Videmus enim nunc per speculum in aenigmate, tunc autem facie ad faciem; nunc cognosco ex parte, tunc autem cognoscam, sicut et cognitus sum.
Nunc autem manet fides, spes, caritas, tria haec; maior autem ex his est caritas.
Just as the quiet lake originates darkly in the deep spring ...
Posted by Anónimo in Filosofia, Literatura, Teologia
Where does love come from and where does it have its origin and its source, where is the place it has its abode from which it flows? Yes, this place is hidden or is secret. There is a place in a person's innermost being; from this place flows the life of love, for "from the hear flows life". But you cannot see this place; however deeply you penetrate, the origin eludes you in remoteness and hiddenness. Even when you have penetrated furthest in, the origin is still a bit further in, like the source of the spring that is further away just when you are closest to it. From this place flows love along many paths, but along none of these paths can you force your way into its hidden origin. Just as God dwells in a light from which flows every ray that illuminates the world, yet no one can force his way along these paths in order to see God, since the paths of light turn into darkness when one turns toward the light - so love dwells in hiding or is hidden in the innermost being. [...]Love's hidden life is in the innermost being, unfathomable, and then in turn is in an unfathomable connectedness with all existence. Just as the quiet lake originates deep downs in hidden springs no eye has seen, so does a person's love originate even more deeply in God's love. If there were no gushing spring at the bottom, if God were not love, then there would be neither the little lake nor a human being's love. Just as the quiet lake originates darkly in the deep spring, so a human being's love originates misteriously in God's love.
Kierkegaard, Soren, Works of Love, edited and translated with introduction and notes by Howard V. Hong and Edna H. Hong, Princeton, New Jersey, Princeton University Press, 1998, pp. 8-10
Apresentação
"Telémaco, não deves sentir vergonha; de modo algum!
Pois foi para isto que atravessaste o mar, para saberes notícias
de teu pai: onde o cobriu a terra ou que destino foi o seu."
Odisseia , Canto III, 14-16.
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telemaquia@live.com.pt
Pois foi para isto que atravessaste o mar, para saberes notícias
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O Jogo do Direito de Resposta: Literatura e Intertextualidade
A folha de poesia que a Telemaquia costumava afixar semanalmente junto ao Departamento de Estudos Portugueses da FCSH corresponde agora à rubrica bloguista Literatura com Direito de Resposta. Desafiamos os nossos leitores a responderem aos textos citados na mesma moeda: literatura com literatura se paga. As respostas, que poderão ser deixadas na caixa de comentários ou no nosso endereço de e-mail, serão posteriormente colocadas no blog como postagens.
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