During the Augusto Pinochet dictatorship, many Chilean women created complex tapestries depicting the harsh conditions of life and the pain resulting from the disappeared victims of Pinochet’s repression. These tapestries, known as arpilleras, get their name from the Spanish word for the burlap backing they used. However, through their art they came to represent much more in the history of modern Chile.
Arpilleras came to symbolize women’s protest against the brutal Pinochet dictatorship. Although these women worked quietly and used a traditionally feminine method, their arpilleras had wide influence within Chile and internationally. The tapestries and the art of making them preserved the memory of los desaparecidos (the disappeared people) and the dictatorship’s brutality, as well as the unemployment, food shortages, housing shortages, and other hardships of daily life which were attributed to Pinochet’s rule. Simply preserving this collective memory was itself an act of protest, but creating the arpilleras also empowered the women in other ways. Many women experienced cognitive liberation through their work in the arpillera workshops, and became involved in other protests against Pinochet’s regime. They also began to confront machismo in their own homes and in society in general by claiming a wider role for women.[...]
Lord Byron might have been furious. Hemingway outraged. Austen inwardly irritated. But the inevitable has happened: their prose has been reimagined through Twitter and will be published in a book distilling more than 60 classic works of literature.There was a minor publishing sensation this summer when Penguin announced that it had bought the rights for the book, Twitterature, in which two first year university students summarise everything from Medea to Madame Bovary.
The book is not published in the UK until 5 November but an advance copy has been seen by the Guardian. (ler mais)
Literólicos Anónimos
Posted by C. in Actualidade, Artigos, Cooperativa Literária, Estudantes de Literatura
A ideia nasceu de "um grupo de amigos que gostava de ver jogar o Benfica e nos intervalos discutia literatura". É assim que Rui Alberto explica a criação da revista "Callema", dedicada à publicação de textos inéditos de quem já tem nome e de quem (ainda) não tem voz.
Tudo começou no primeiro ano da faculdade, no curso de Estudos Portugueses. Rui e quatro amigos, "o núcleo duro da 'Callema'", queriam produzir uma revista na qual pudessem publicar textos sem ninguém que os censurasse. O sonho só se concretizou no fim da faculdade, em Novembro de 2006.
Ver o produto do esforço e trabalho de cinco rapazes entre os 25 e os 28 anos, "foi fantástico mas ao mesmo tempo estranho": "Foi óptimo ver que não era só conversa, que realmente conseguíamos fazer alguma coisa e foi estranho porque para alguns foi a primeira publicação."
A revista não dá lucro, mas também não dá despesas: auto-sustenta-se. Cada um tem o seu trabalho e um deles nem vive em Portugal - depois do curso decidiu procurar trabalho lá fora - mas nem por isso desistem do sonho: "Enquanto houver romantismo, isto vai para a frente. Estamos sozinhos, não podemos depender de ninguém, mas vale a pena."
Apesar de uma modesta tiragem de cem exemplares, a "Callema" recebe vários pedidos de colaboração, contos, ensaios e poemas dos quais vive, a par de "convites que são feitos a algumas pessoas, para cada edição". No número dois da revista contaram com três poemas inéditos de Nuno Júdice, escritor, poeta, ensaísta e professor universitário, num exemplar que esgotou.
No entanto, e por muito louvável que a ideia seja, a pergunta obrigatória é: o que leva estes jovens, que nem 30 anos têm, a entregarem-se a um projecto que não dá lucro? A resposta, romântica, não demora. "A partir do momento em que viemos a público, adquirimos um dever cívico: temos o dever de fazer ler, pensar e escrever." E se acha que tem qualidade para aparecer nas páginas da "Callema", tem bom remédio: callema@cooperativaliteraria.net. Mas não se esqueça que esta malta só aceita textos inéditos... e bons.
O reino digital
Chama-se "Orgia Literária" (orgialiteraria.com) e é uma revista digital de crítica literária, online há mais de três anos. Nasceu pelas mãos de Emanuel Amorim de 24 anos e Gonçalo Mira, de 23: "A ideia era escrever só sobre livros, sobre o que gostávamos e líamos, mas depois fomo-nos tornando mais atentos às obras que saíam e hoje temos entrevistas e artigos generalistas sobre literatura."
Gonçalo acabou o curso de literatura este ano e espera encontrar trabalho rapidamente, mas nem a perspectiva de passar a ter menos tempo para a manutenção do site o demove: "É verdade que dá trabalho mas havendo vontade dá sempre para conciliar. O importante é que não sejamos só nós, continuando com os 20 colaboradores que já temos é mais fácil."
Sem lucros e com algumas despesas inesperadas (como a compra de um servidor próprio para alojar o site), estes dois jovens mantêm a revista digital, por amor aos livros e fidelidade à literatura.
Longe vão os tempos em que os movimentos literários usavam as revistas como palcos de ensaio para a experimentação de novos estilos. Apesar disso e da irregular periodicidade das revistas de hoje, parece que afinal as gerações de "Orpheu", "Presença" ou "Sudoeste" (Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José Régio, Almada Negreiros) ainda respiram.
Gonçalo acabou o curso de literatura este ano e espera encontrar trabalho rapidamente, mas nem a perspectiva de passar a ter menos tempo para a manutenção do site o demove: "É verdade que dá trabalho mas havendo vontade dá sempre para conciliar. O importante é que não sejamos só nós, continuando com os 20 colaboradores que já temos é mais fácil."
Sem lucros e com algumas despesas inesperadas (como a compra de um servidor próprio para alojar o site), estes dois jovens mantêm a revista digital, por amor aos livros e fidelidade à literatura.
Longe vão os tempos em que os movimentos literários usavam as revistas como palcos de ensaio para a experimentação de novos estilos. Apesar disso e da irregular periodicidade das revistas de hoje, parece que afinal as gerações de "Orpheu", "Presença" ou "Sudoeste" (Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José Régio, Almada Negreiros) ainda respiram.
Museu de Arte Popular mudou de casa
09. 07. 2009 - Ana Machado - Público
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É a primeira vez que o espólio de um museu muda de casa, para dentro de outro. Foram nove meses para fazer a mudança do Museu de Arte Popular, fechado desde 1998. Quando se poderá visitar a colecção? Será que vai voltar à antiga casa?.
Joaquim Pais de Brito não se lembra de alguma vez ter acontecido uma coisa destas. O espólio inteiro de um museu totalmente transferido para outro museu. Aconteceu com o Museu de Arte Popular, em Lisboa. Todos os objectos, que representam a mostra da arte popular produzida de norte a sul do país, reunida pela vontade de António Ferro durante os anos 40, em plena ditadura, foram transferidos para o Museu Nacional de Etnologia, também em Lisboa, de que Pais de Brito é director. "Sabia-se que o museu estava em obras, que tinha infiltrações, que o quadro de electricidade estava em mau estado, que não havia filtros anti-raios UV nas janelas nem alarme", disse ao P2. "Havia que criar condições." .
A ordem para proceder aos trabalhos para acolher o espólio do Museu de Arte Popular (MAP) no Museu Nacional de Etnologia (MNE) chegou à sua secretária em 2006. "Fui informado em Outubro e fiz questão de ditar as minhas condições: impedir a perda de informação, não dispersar as colecções e proceder a um inventário rigoroso sobre tudo o que havia no museu, com registo fotográfico, o lugar onde pertencia, a sua proveniência, tudo. Pedi ainda para que ficasse registado o estado de conservação das peças e que nos fosse garantido orçamento para arranjar espaço próprio para receber o espólio no Museu de Etnologia e para que tivesse uma equipa de seis pessoas dedicada ao trabalho."
(ler mais)
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Condições aceites, a mudança começou. "Fez-se o trabalho mais notável que este museu já fez. Havia uma grande responsabilidade intelectual e pessoal. Este foi um acontecimento muito raro. Tinha de ser um trabalho consolidado, qualquer que fosse o objectivo da mudança. Mas nem sequer se me colocou a questão de não continuação do Museu de Arte Popular!", exclama Pais de Brito, que coordenou os trabalhos, recordando que já tinha acompanhado um processo idêntico em França, quando o Museu de Arte e Tradições Populares foi integrado no grande Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha..
O MNE tornou-se, assim, guardião de um tesouro no meio de uma polémica: intelectuais e figuras ligadas à museologia defendem o regresso do espólio ao espaço original, o edifício do Museu de Arte Popular, junto ao Tejo, tendo para isso reunido num abaixo-assinado já mais de 4300 assinaturas. O Ministério da Cultura reclama o espaço da frente ribeirinha para fazer nascer um novo espaço, o Museu Mar da Língua Portuguesa, apresentado ainda durante o mandato da anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.(ler mais)
Fonte: A Página da Educação - Autor não identificado.
O fenómeno de revitalização vegetativa, em que a natureza após a longa letargia invernal acorda, desabrochando numa sinfonia de vida, constituiu sempre para as populações arcaicas, um momento mágico e determinante da visão cósmica da existência.
Momento aguardado com a ansiedade das perspectivas de novas colheitas mas, igualmente despoletador de dúvidas acerca da sua efectiva realização, este é o tempo em que chega a Primavera. Tempo sagrado, como todos os tempos de transição, nele se efectuavam, em épocas passadas, diversos cerimoniais cujas funções exprimiam a comemoração festiva do eclodir primaveril e, algumas vezes até, rituais de expulsão simbólica do Inverno que terminava.
Neste sentido, realizaram-se durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, grandiosos festivais florais em que jovens nubentes se espalhavam pelos campos e, em alegre convívio cantavam e dançavam, e se enfeitavam com verduras e flores, num ritual ancestral de que o nosso “dia da espiga” constitui herdeiro directo, embora minorado.
Poder-se-á dizer, então, que fazendo parte deste ciclo festivo da Primavera, a Quinta Feira da Ascensão, ou “da espiga”, corresponde à cristianização de um complexo de festividades pagãs ligadas à celebração e consagração da natureza. De facto para as sociedades primitivas, a regeneração vegetal, de que a agricultura é função, está dependente, em grande parte, das boas ou más vontades divinas e, em última instância, da maior ou menor fertilidade da terra-mãe.
Não é portanto de admirar que este tempo vital, expresso no renascer das plantas, no desabrochar das árvores e na proliferação das flores e frutos, desencadeasse grandes manifestações de alegria, em que jovens se dirigiam para os campos, para aí, em comunhão com a natureza, festejarem e, naturalmente, adquirirem também eles as energias fecundantes que nesta altura fluíam em profusão.
Mas o “dia da espiga” era também o “dia da hora”. Herdeiro de simbolismos primevos, este era um tempo particularmente sagrado. Um tempo por muitos considerado “o dia mais santo do ano”, em que se não devia trabalhar e em que “nada bulia”, em que as transgressões referentes ao trabalho se revelam estranhamente ineficazes, quando não se manifesta até outro tipo de sanção mais radical. Avultava, aí, uma hora em que as coisas possuíam especiais valências e singulares transcendências... o meio-dia! Essa é a hora em que os “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” configurando assim, devotadamente, o sinal da cruz”! De sacralismo tão intenso que, como se crê, na zona do Vale do Tejo, nem os “passarinhos vão ao ninho”! Ao meio-dia se deviam, então, colher as ervas que iam ser utilizadas na farmacopeia popular durante todo o ano. Ao meio-dia se deviam preferencialmente colher os diversos raminhos que no seu conjunto constituíam a “espiga”, temporalidade que por razões funcionais foi, em muitas zonas, caindo em desuso.
É um tempo prodigioso, eivado de proibições e obrigações. Nalgumas aldeias acreditava-se que não se podia, nesse dia, cozer pão. Noutras, pelo contrário, o pão cozido era sagrado, mantendo-se incorrupto até ao ano seguinte. Em Alenquer, por exemplo, o leite ordenhado nesse dia não se vendia, dava-se, já que a realização de negócios, mesmo os mais simples, constituía mau presságio. Em casa “a espiga” era, e é, guardada atrás da porta ou junto da imagem de particular devoção. A mera existência numa habitação desse simples raminho, constitui poderoso e multifacetado amuleto. Para dar saúde, alegria e abundância e, especialmente, para que nessa casa nunca faltem os indispensáveis azeite e pão! Aliás, o seu sentido propiciatório era, em tempos idos, evidente e diversificado. Quando das trovoadas, um bocado posto a arder à lareira afastava os raios e oferecia protecção eficaz contra a tormenta.
A este tempo estavam ainda ligadas as oferendas das “primícias” e as “benções dos campos”, nos nossos dias, por razões funcionais, de contornos institucionais mais ou menos litúrgicos e de temporalidade mais variada. Em muitas zonas do país, costumavam-se soltar, durante a missa, grupos de andorinhas que, paciente e delicadamente, se tinham apanhado nos dias anteriores, adornadas as mesmas com coloridas fitinhas e lacinhos vermelhos. Enfim, sejam ou não vistos, hoje, numa perspectiva canónica, fazendo ou não parte do imaginário popular, estas tradições que comemoram o desabrochar da Primavera são sempre tempos especiais na temporalidade mística das populações rurais mediterrâneas e, na sua coexistência com o sacralismo da terra-mãe, hierofania exemplar da sua relação com a esfera do sagrado.
É o milagre da vida, que se renova periódica e inexoravelmente todos os anos. Da terra prenhe eclodem os frutos naturais. Semente divina, condição de sobrevivência, dádiva da fertilidade que as massas urbanas apenas, hoje, apreciam à distância!
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Observação: O Dia da Espiga não tem uma data fixa; comemora-se 40 dias depois da Páscoa.
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Celebrating its 70th birthday this year, the iconic status of Gone With The Wind is more secure than ever. It stands as a monolith over a diffuse and fragmented media landscape: producer David O Selznick's almost-four-hour extravaganza was the jewel in the crown of a kind of studio film-making we shall never see again. Equally important, the mass audience on which its appeal depended has also gone.
Graham Greene, who like the best early film critics was trying to understand this new medium on its own terms, might have been describing Gone With The Wind when he wrote that certain movies were like sporting events: "Made by [their] spectators and not merely shown to them."
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Politically incorrect and racially retrograde, the film has managed at one time or another to offend almost everyone. Its allure, though, is deeper and wider. It's a movie we loved before we learned not to like or approve of it. Max Steiner's sweeping score is nothing if not relentless, yet you need to be made of stern stuff to hear the first few chords of Tara's Theme without getting a slight chill. [...]
Politically incorrect and racially retrograde, the film has managed at one time or another to offend almost everyone. Its allure, though, is deeper and wider. It's a movie we loved before we learned not to like or approve of it. Max Steiner's sweeping score is nothing if not relentless, yet you need to be made of stern stuff to hear the first few chords of Tara's Theme without getting a slight chill. [...]
O decrescimento é um movimento de indivíduos, que um pouco por todos os países industrializados, se questionam sobre o objectivo principalda nossa sociedade actual: o crescimento económico. A primeira coisa com que nos deparamos é mais que uma noção politica ou idealista, é uma questão física! Não pode existir crescimento infinito, isto é, sem limites, num mundo finito. Querendo isto dizer que as matérias primas, sejam elas quais forem, terão, a um determinado momento, um fim. Sobretudo se continuarmos a explorar inconscientemente os recursos, sem nunca os repôr. As matérias primas que requerem a nossa principal atenção neste momento são os combustíveis fósseis, não apenas pelo seu fim estar à vista, mas sobretudo por cerca de 90% de toda a indústria, comércio, prestação de serviços, etc, se basear nestes para existir. Isto significa que quando os combustíveis começarem a aumentar consideravelmente de preço, por se tornar cada vez mais difícil a sua extracção, o custo, por exemplo, da produção e transporte de bens de consumo imediato aumentará, e muito. Deixará de ser rentável ir buscar matérias primas à Ucrânia, que serão transformadas na Índia, embaladas na China e vendidas em Portugal, porque todos os transportes serão caríssimos, sem falar da energia necessária para a maquinaria, etc... Será igualmente caro transportar o lixo que daí advêm para longe do nosso olhar. Com este exemplo apercebemo-nos que como consumidores somos intermediários entre uma cadeia tentacular e espectacular de produção e uma rede complexa de tratamentos de dejectos, com as quais, no nosso dia a dia, não temos qualquer contacto e que desconhecemos quase totalmente. Á primeira vista podemos pensar que o decrescimento se debate com questões de ordem ambiental, pois, ao questionar os limites docrescimento económico depara-se inicialmente com a destruição dos recursos naturais, mas este questionamento leva-nos mais além, damo-nos rapidamente conta da degradação social gerada por este estilo de vida, o do sempre mais. Mais conforto, mais consumo, mais bens materiais, mais trabalho, mais custos do conforto, mais tempo nos transportes públicos ou nas filas de trânsito. Por o capitalismo não ser uma ideologia, mas uma teoria económica, e por isso não ter carácter político e social, é vazio a nível humano. No entanto, tornou-se o motor impulsionador de quase todas as sociedades, mesmo as de terceiro mundo. Uma sociedade baseada numa teoria vazia não pode senão gerar uma sociedade com um enorme vazio humano. A solidão já afecta milhões de pessoas no mundo ocidental, a depressão é a doença do século XXI. Daí nos perguntarmos, onde vamos com esta sociedade em que os valores do foro da economia se sobrepõe aos valores humanos? O decrescimento baseia-se nestes dois pontos principais, o ambiente, e os limites físicos do planeta, e as questões sociais. O que fazer face a tudo isto?A primeira coisa é tomar consciência. Quando se está consciente do quese passa à nossa volta podemos tomar decisões e opções em função disso e ter poder sobre o rumo da nossas vidas. Muitas pessoas em todo o mundo fazem a escolha da simplicidade voluntária, o que, por outras palavras, é optar por ter menos dinheiro, portanto, consumir menos, mas ter mais tempo para si e para os outros. Ter um emprego em part time, uma casa com uma renda mais baixa, ir para o campo cultivar a terra, a auto suficiência, fazer hortas urbanas, são alguns exemplos. A cada um a sua forma!
28.04.2009 - por Silvia Ribeiro - La Jornada.
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La nueva epidemia de influenza porcina que día a día amenaza con expandirse a más regiones del mundo, no es un fenómeno aislado. Es parte de la crisis generalizada, y tiene sus raíces en el sistema de cría industrial de animales, dominado por grandes empresas trasnacionales.
"Afinal, era tudo mentira: os Xutos gostam de Sócrates"
Posted by TELEMAQUIA in Actualidade, Artigos
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Fiquei ontem a saber que, afinal, era tudo mentira: uma tal banda de nome Xutos & Pontapés, autora de uma música que, segundo me disseram, está muito em voga, de nome Sem Eira Nem Beira, e onde se fala constantemente num tal «senhor engenheiro» e em «enganar o povo que acreditou» e que «esta merda vai mudar» e expressões um pouco mais hard (fui ouvir a música e é verdade que diz isso e muito mais), nunca teve em mente criticar o engenheiro José Sócrates. Nunca. Declaram-no com todas as letras e com toda a falta de vergonha, na edição desta semana do Sol. Um dos membros dessa banda, de sua graça Zé Pedro, diz mesmo: «Não queremos ser embrulhados em coisas políticas» e «eu gosto muito do Sócrates».
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Portanto, aquela coisa, na letra da canção, de «senhor engenheiro» para a frente e «senhor engenheiro» para trás foi coincidência, não tem nada que ver com o engenheiro José Sócrates, primeiro-ministro do Governo de Portugal. A outra coisa que por lá se ouve de «enganar o povo que acreditou» não só não se relaciona minimamente com o engenheiro Sócrates como não tem nada que possa ser ligado com o embrulho da política. Finalmente, a parte que diz «esta merda vai mudar» também não tem qualquer relação com a tal política nem com o tal engenheiro, é mesmo tão só e apenas uma coisa escatológica.
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Quanto ao declarado gosto que manifestam por Sócrates, devemos ter presente que é, obviamente, uma apreciação pessoal ou estética ou afectiva ou de outra índole qualquer, mas não política.
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Isto levanta um problema, porque a única utilidade que aquela música poderia ter era mesmo ser uma crítica política, mas como, pelos vistos, não é, então, não tem serventia nenhuma. A música é péssima e a letra, ficamos agora a saber, é ininteligível. Serve então para quê? Para ouvir não é, certamente.
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Veio-me agora à memória um antigo programa da rádio. Esse programa tinha uma rubrica de crítica diária a toda a música xunga que fosse editada. O locutor, depois de passar à lupa a mediocridade da letra e da música da canção, encerrava a crítica sempre com a mesma frase: «Este disco é intocável, mas de certeza que não é inquebrável», e depois partia-o.
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Claro que foi uma mera coincidência ter-me lembrado disto, não tem nada que ver com o tal disco do grupo dos pontapés...
por Matt Richtel
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Conspiring with a distant lover? Try texting. Lost in the woods/wilderness/Ionic Sea? Use GPS. Case of mistaken identity? Facebook!
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Technology is rendering obsolete some classic narrative plot devices: missed connections, miscommunications, the inability to reach someone. Such gimmicks don’t pass the smell test when even the most remote destinations have wireless coverage. (It’s Odysseus, can someone look up the way to Ithaca? Use the “no Sirens” route.)
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Fonte: The New York Times
Rock, Paper, Scissors and a hard place por Ian Black
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Jinoos Taghizadeh wanted to come up with a distinctive and thought-provoking work to mark the 30th anniversary of the Islamic revolution. But rather than celebrating the event, the Iranian artist chose to illustrate the yawning gap between hopes and reality. [...]
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Conheça o trabalho de Jinoos Taghizadeh aqui.
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Fonte: Guardian Unlimited
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''Minas não é palavra montanhosa.
É palavra abissal. Minas é dentro
E fundo”
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Carlos Drummond de Andrade
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Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.
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Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral dos sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?
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É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.
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Um simples" mas" é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um "mas" nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?
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Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.
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Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
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Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...
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Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou?, dizem: "ôndôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.
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Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.
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Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido...
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Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
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Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
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O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
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Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: — Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.
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Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
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Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
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Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.
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Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.
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Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
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— Eu preciso de ir.
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Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:— Ah, mãe, eu preciso de ir?
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No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!
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Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:
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— Ai, gente, que dó.
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É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.
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Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".
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Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu.
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Ouço a leitora chiar:
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— Capaz...
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Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "tá fácil que eu faça isso", com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um "capaz..." como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó dôcê". Entendeu agora?
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Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:
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- Ah, nem...
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O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
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A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:
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— Você quer que eu "dou" um exemplo...
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Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.
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Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.
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Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
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Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
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Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:
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— Ah, fui lá comprar umas coisas...
— Que' s coisa? — ela retrucará.
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Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.
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Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
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— Ele pôs a culpa "ni mim".
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A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.
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Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?
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Deve haver, por certo, outras expressões... A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam... Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha... Tudo, naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que, características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?
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Fonte: Projecto Releituras
Cute signs that books are becoming nostalgic curiosities
Posted by TELEMAQUIA in Artigos, Literatura
Apresentação
"Telémaco, não deves sentir vergonha; de modo algum!
Pois foi para isto que atravessaste o mar, para saberes notícias
de teu pai: onde o cobriu a terra ou que destino foi o seu."
Odisseia , Canto III, 14-16.
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telemaquia@live.com.pt
Pois foi para isto que atravessaste o mar, para saberes notícias
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O Jogo do Direito de Resposta: Literatura e Intertextualidade
A folha de poesia que a Telemaquia costumava afixar semanalmente junto ao Departamento de Estudos Portugueses da FCSH corresponde agora à rubrica bloguista Literatura com Direito de Resposta. Desafiamos os nossos leitores a responderem aos textos citados na mesma moeda: literatura com literatura se paga. As respostas, que poderão ser deixadas na caixa de comentários ou no nosso endereço de e-mail, serão posteriormente colocadas no blog como postagens.
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