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Religare

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"O Papa que vem a Portugal é o chefe de uma Igreja fragilizada pela 'crise da pedofilia'. Mas, da mesma maneira que não se pode culpar a Igreja no seu todo pelos crimes de alguns, também seria um erro limitar o pontificado de Bento XVI a este tema. Contrariamente ao seu predecessor, Bento VXI não é um homem de multidões, um Papa missionário que leva a palavra divina aos quatro cantos do mundo. É um homem da escrita, da reflexão, do isolamento necessário à meditação. Num mundo em que a imagem é rei, Bento XVI surge como um homem cada vez mais só. Mas não se trata apenas de estilo: Bento XVI, alemão e ocidental, é o homem do combate ao esvaziamento religioso, à indiferença, ao relativismo cultural e perda de referências. É um combate difícil, porque se situa no terreno movediço da fé e dos valores e que se desenrola numa parte do mundo - o Ocidente europeu - que perdeu a vontade de viver. O homem que vem a Portugal não é apenas mais um Chefe de Estado. É também o chefe de uma instituição milenária que estruturou o que é hoje o nosso modo de vida neste canto do planeta. Os que nele não vêem senão crimes esquecem que algumas coisas boas, como a liberdade, também estão na base deste mundo. E esquecem também que o homem que aqui vem representa mil milhões de pessoas por todo o mundo, alguns dos quais em Portugal. [...]"

Esther Mucznik, Vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa
Revista Única, Expresso #1958, 8 de Maio de 2010, p. 37

Comecem a construir a Arca...

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Terra: 40 anos de celebração e continua tudo na mesma
22.04.2010 - Bruno Abreu - Diário de Notícias

Quercus avisa que excesso de consumo está a destruir o planeta

"O nosso relacionamento com o planeta Terra piorou nos últimos anos. Apesar de estarmos mais eficientes, temos cada vez mais produtos a gastar mais. A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior", avisa Susana Fonseca, presidente da Quercus. Por isso, esta associação ambiental admite que quarenta anos depois da primeira comemoração do dia da Terra, este planeta está na mesma ou pior.

O excesso de produção e de consumo parece ser a maior das "doenças" e a que provoca o resto dos males do mundo. A Quercus aponta, até, para a iminência de um cataclismo de magnitude planetária, em que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Dados da associação ambientalista indicam que, para mantermos este nível de consumo de recursos precisamos de um planeta e meio. No caso de Portugal, o número sobe para dois planetas e meio. É como ter um frigorífico cheio de comida em casa, mas o apetite voraz exigir dois e meio para sustentar a fome.

A culpa parece ser da nossa sociedade: "É-nos passada uma imagem de consumo e de luxo, em que o valor das pessoas vem daquilo que têm e não do que são. Isto é uma atitude insustentável para quem se preocupa com questões ecológicas", diz Susana Fonseca. Uma questão de elevada importância num planeta em que três em cada quatro pessoas vivem em países em débito ecológico.

Estas são as nações que não conseguem produzir dentro das suas fronteiras os produtos que consomem, nem desfazer-se dos resíduos que produzem. "Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia", diz a responsável da Quercus.

"Quarenta anos volvidos, não temos um balanço positivo da nossa relação com o planeta Terra. Face ao conhecimento que actualmente possuímos, estamos bastante aquém", conclui a presidente.

Mas, afinal, o que é que nestes 40 anos não conseguimos alterar para mudar este cenário? Em resposta, Susana Fonseca aponta três falhas: a primeira é o excesso de produção e de consumo. "A falha maior", aponta a ecologista: "Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos e os indicadores que se baseiam nisto não são sustentáveis." O problema terá começado nos anos 1980 quando passamos a ter um défice de pegada ecológica. A partir daí foi sempre a piorar.

O segundo problema destes 40 anos foi o não desenvolvimento de energias renováveis. "Há muito que as conhecemos, mas ninguém investe nelas", frisa Susana Fonseca, que lamenta que a crise de petróleo de 1973 não tenha ensinado nada acerca dos problemas deste combustível fóssil.

Em terceiro vem a falta de educação ambiental, uma questão que se estende a toda a gente, inclusive aqueles que têm as rédeas do mundo: "O que me espanta é que haja um consenso sobre as alterações climáticas, mas que ninguém tenha tido a coragem para que se assine um protocolo", critica. Para a Quercus, é preciso que as pessoas saibam viver com o planeta, "sem serem agressivos".

"É preciso formar pessoas, principalmente os líderes, antes que fiquemos sem recursos. O grande problema é que estivemos estes anos todos sem ligar nada ao planeta e agora temos de aprender rapidamente como tratar dele", acrescenta Susana Fonseca.

Passados 40 anos, o cenário não é famoso, por isso a ecologista espera que quando chegarmos aos 50 anos do dia da Terra, estes três problemas estejam resolvidos: "Isto sendo bastante optimista."

Maria Helena da Rocha Pereira

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A professora catedrática Maria Helena da Rocha Pereira declarou-se hoje sensibilizada com o reconhecimento da importância do estudo da Antiguidade Clássica, ao receber o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e Caixa Geral de Depósitos (CGD).

No valor de 25 mil euros, o galardão foi-lhe entregue pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva -- "uma honra", sublinhou --, hoje ao fim da tarde, em Lisboa, no salão nobre do edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos, numa cerimónia que contou também com a presença dos presidentes da APE, José Manuel Mendes, e do conselho de administração da CGD, Faria de Oliveira.

"Gostaria de salientar um aspeto que me desvanece: é o facto de a Associação Portuguesa de Escritores ter entendido que uma vida consagrada ao ensino e ao estudo da Antiguidade Clássica e da sua presença na Modernidade também tem o seu lugar na nossa cultura", disse a premiada, de 85 anos, professora jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Fonte: Lusa

Catulo diz:

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Erros de palmatória cada vez mais frequentes entre universitários
por Kátia Catulo, Publicado em 15 de Abril de 2010

Das ciências exactas às sociais e humanas, as dificuldades na escrita e na oralidade são comuns aos alunos da maioria dos cursos e universidades

Boa parte dos estudantes universitários é incapaz de escrever sem erros ortográficos, encadear um raciocínio com princípio, meio e fim, interpretar um texto ou perceber o que é dito na aula. São os próprios professores a reconhecer que o domínio da língua portuguesa é uma aprendizagem que a maioria dos seus alunos não fez no ensino secundário e ainda não consegue fazer no ensino superior. As dificuldades atravessam os cursos que vão das ciências sociais e humanas às ciências exactas e estendem-se a disciplinas como História, Matemática, Física, Gestão, Jornalismo ou Ciência Política.

Escrita A incapacidade de usar a língua portuguesa de forma correcta é um "mal generalizado" entre os alunos de todos os anos, avisa Manuel Henrique Santana Castilho, docente da Escola Superior de Educação de Santarém. "São raros os que conseguem organizar um pensamento e escrevê-lo sem incorrecções", diz o professor que ensina Gestão Educacional aos futuros candidatos a professores do 3º ano. Os erros vão muito além da ortografia e da gramática, conta Isabel Ferreira, que dá aulas de Física aos caloiros do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa: "Na generalidade, escreve-se como se fala. Os alunos distorcem as palavras para permitir uma colagem entre a grafia e a fonética."

Oralidade Pior do que a escrita é a oralidade, esclarece Miguel Morgado do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Quando o desafio passa por verbalizar uma ideia ou expor um raciocínio, as fragilidades triplicam: "Há uma enorme dificuldade de os alunos conseguirem responder a uma pergunta com princípio, meio e fim." Ou uma incapacidade de começar e terminar uma frase, mantendo uma "lógica coerente", desabafa Santana Castilho. O discurso é com frequência atropelado por "frases incompletas sem um fio condutor", explica Isabel Ferreira. Nuno Crato, professor de Matemática do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), acrescenta que, regra geral, o vocabulário dos seus alunos "é pobre" e o raciocínio "vago e disperso".

Se o discurso é incoerente é porque não há um esforço de reflexão: "Logo, as intervenções orais são baseadas no improviso", defende João Cantiga Esteves, professor de Finanças no ISEG, em Lisboa. Expressar uma ideia simples é um desafio que poucos conseguem ultrapassar. "Até nos casos em que peço aos alunos para lerem textos em voz alta, a leitura é apressada sem pausas e com total desrespeito pelas vírgulas e parágrafos", diz João Gouveia Monteiro, professor de História da Idade Média e de História Militar da Universidade de Coimbra.

Interpretar
Ler um texto e saber transmitir o que se retirou dessa leitura é uma habilidade de uma minoria, conta Joaquim Fidalgo, que dá aulas de Jornalismo na Universidade do Minho: "Em regra, o discurso é confuso e há uma tendência para complicar conceitos simples." Prestar atenção ao que o professor diz durante a aula e tomar notas em simultâneo é outra tarefa que poucos conseguem desempenhar, alerta a professora de Física do Instituto Superior de Agronomia. Combater essa limitação passa muitas vezes por interromper a aula e pedir à professora para repetir a frase que acabou de dizer: "Um desafio constante tem sido fazê-los primeiro ouvir, para depois escreverem pelas suas palavras, evitando que se caia num regime de ditado."

Dez minutos é, por outro lado, o tempo máximo que dura a concentração de uma turma, conta João Gouveia Monteiro: "Mais do que isso, os alunos começam a dispersar-se e não tenho outra alternativa senão fazer uma pausa." A estratégia do professor passa por contar uma piada ou pedir a um aluno para fazer um comentário sobre a matéria. Após o intervalo, a aula prossegue sem interrupções durante os próximos 10 minutos. A velocidade com que o programa é cumprido é portanto mais lento, explica o director da Imprensa da Universidade de Coimbra: "Há 15 anos demorava duas aulas para ensinar um módulo, hoje levo o dobro do tempo."

Aprendizagem
As deficiências na escrita e na oralidade têm consequências na aprendizagem e na avaliação dos estudantes. "Os alunos perdem a capacidade para compreender conceitos complexos", diz Isabel Ferreira, esclarecendo que os que têm mais dificuldades na expressão escrita e oral são "tendencialmente" os que também têm maiores resistências em dominar os conceitos científicos da disciplina. E, ao não conseguirem expressar o raciocínio, correm o risco de serem penalizados na avaliação: "A partir do momento em que não percebo o que querem transmitir, não posso avaliar os seus conhecimentos", diz Miguel Morgado.

Quanto maiores são as deficiências dos estudantes, menor é o grau de exigência dos professores. Miguel Morgado reconhece que se foi tornando mais tolerante com as falhas dos alunos e hoje há erros que já não considera "assim tão graves". João Gouveia Monteiro admite que entre a classe docente há uma tendência para nivelar por baixo: "Eu, por exemplo, no primeiro semestre do ano passado, chumbei 75% dos meus alunos e, mesmo assim, considero que não fui rigoroso." Isabel Ferreira confessa que teve necessidade de tornar a sua linguagem mais básica para poder ser entendida pelos alunos. O nível de exigência foi descendo sobretudo porque os alunos têm deficiências de base não só a português como a matemática e a física: "Seria impensável fazer testes com enunciados de há 15 anos. Os resultados seriam desanimadores." João Gouveia Monteiro usa outro exemplo para defender a mesma ideia. "A classificação de 18 valores numa prova de hoje equivale aos 12 valores de há 15 anos", conclui.

Fonte: ionline.pt

Hot Clube volta à Praça da Alegria

Posted by F. F. in ,

Hot Clube de volta, uns números abaixo
por Luís Leal Miranda, publicado em 15 de Abril de 2010


Pergunta para queijinho azul (categoria Geografia): Qual o número de porta do Hot Clube de Portugal? Se respondeu 39, então perdeu. Mas a pergunta tem rasteira. Durante mais de 60 anos, o 39 da Praça da Alegria foi morada para a sala de concertos do mais antigo clube de jazz português. Mas o incêndio, a 22 de Dezembro do ano passado, inutilizou o prédio histórico e o Hot viu-se obrigado a mudar de endereço. Sem residência fixa durante quase quatro meses, o clube de jazz conheceu ontem a sua nova morada apenas uns números abaixo da antiga: Praça da Alegria, números 47-49. Mantém o código postal.

A decisão foi anunciada ontem depois de uma reunião da Câmara Municipal de Lisboa em que foi aprovada a proposta da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto. Segundo essa proposta os números 47 e 49, propriedade da câmara, vão ser cedidos para albergar a sede do clube de jazz. O espaço é uma antiga loja entre a pastelaria Estrela da Alegria e a Electro Luso Alegria, estabelecimento dedicado à venda de acessórios para automóveis. Situada perto do Cabaret Maxime, o espaço é um pouco maior que o do edifício agora devoluto e inclui um pátio.

"Estamos muito contentes por termos conseguido", disse à agência Lusa a directora do Hot Clube, Inês Homem Cunha, "falta assinar o protocolo para voltar a pôr o Hot a mexer".

Para ajudar a reerguer o clube, a autarquia irá transferir 200 mil euros. "Importa assegurar a retoma e criar condições para a continuidade da programação do Hot Clube de Portugal, assegurando o desenvolvimento das suas actividades com regularidade e estabilidade", lê-se na proposta da vereadora socialista.

A direcção do Hot já tem um projecto de remodelação do espaço cedido, obra a cargo do atelier de arquitectura dos irmãos Aires Mateus. Falta marcar uma data para a assinatura do protocolo e início das obras.

O que resta da sala de concertos original, edifício classificado como imóvel de interesse municipal (o tal número 39), não vai ser recuperado. Depois do incêndio, a estrutura do prédio ficou gravemente danificado e este será demolido até Maio, mantendo-se a fachada.

Depois do incêndio de 22 de Dezembro vários concertos foram cancelados. O Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade, serviu de palco provisório para alguns músicos mas a conversão definitiva em nova casa do jazz nunca agradou aos responsáveis do Hot. Aquele que é tido como um dos clubes de jazz mais antigos da Europa volta a ter morada 113 dias depois do fogo.

Fonte: ionline.pt

Entrevista de Carlos Amaral Dias ao Jornal i

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"A depressão ligeira não se cura com comprimidos"
03.04.2010 - Rute Araújo - Jornal i

O primeiro estudo nacional sobre o assunto conclui que 23% dos portugueses já tiveram uma perturbação mental. Como interpreta este dado? Grande parte destes transtornos têm um problema associado que é a forma como são seguidos, a maior parte com medicação psiquiátrica. E isso vai contra todos os estudos. As depressões major precisam de medicação. Mas nas depressões ligeiras e na ansiedade sem pânico uma psicoterapia, a uma média de duas vezes por semana, é muito mais efectiva.

O consumo desses medicamentos é elevado no país. É a prova de que as pessoas são mal tratadas? Exactamente. Há uma correlação. E isso é um problema. Temos que nos perguntar porquê.

Por que tomar um comprimido é mais fácil? Ou por que não há apoios para as psicoterapias, e elas são caras? Os psiquiatras mais jovens são cada vez mais treinados dentro da psiquiatria biológica. A formação na psiquiatria mais compreensiva tem vindo a diminuir. Isso é preocupante. Ao mesmo tempo, não há, e seria importante que houvesse, uma forma de o Estado subsidiar efectivamente pelo menos uma parte das sessões. A consulta de psiquiatria é paga como qualquer acto médico, mas as psicoterapias têm uma comparticipação irrisória. Há uma discriminação negativa das psicoterapias.

O princípio dos cuidados universais e tendencialmente gratuitos não se aplica à saúde mental? O Estado não fornece os cuidados necessários aos pacientes. E isso é uma coisa importantíssima na saúde mental em Portugal. Preocupa-me o uso indiscriminado de psicofármacos. Muitas situações que fazem parte dos processos de vida são hoje tratadas com fármacos. É excessivamente frequente dar comprimidos para tratar um trabalho de luto quando é um processo normal na vida, que requer um tempo para a elaboração da perda e desinvestimento no objecto de amor perdido. Esta situação pode ser susceptível de psicoterapia, mas não é susceptível de medicação.

Esse tipo de tratamento funciona apenas como um adormecimento? Tem consequências para o paciente? Tem. Por exemplo, numa pessoa com ataques de pânico podemos distinguir entre o sintoma e aquilo que chamo o sintoma enigma: a história do paciente. Se não decifrar o enigma, não vai livrar-se da razão pela qual tem os ataques de pânico. Eles podem não ocorrer enquanto estiver medicado, mas quando se tira a medicação descompensa outra vez. Se trabalharmos esses sentimentos com a pessoa, a ajuda efectiva é maior do que apenas quando se dá um fármaco. A capacidade de estar com o doente é muito importante. Tive uma adolescente de 18 anos que tinha um conjunto de questões complexas, um longo passado psiquiátrico, com medicação. Mas nunca tinha falado dos seus problemas. Tinha ataques de pânico, medicaram-na e mandaram-na voltar três meses depois.

Há perturbações mentais típicas de cada época? Que tipo de consequência tem actual crise, o aumento do desemprego, da instabilidade? As guerras, crises económicas e sociais não aumentam nem diminuem as doenças psiquiátricas graves, como a esquizofrenia. Mas aumentam os transtornos mentais comuns. Uma pessoa deixa de ter dinheiro para pagar a casa, não pode cumprir os compromissos habituais, cuidar dos filhos como deseja... É um factor de fragilização emocional, facilmente pode entrar numa situação depressiva. Os transtornos da ansiedade e a depressão são os mais frequentes. Mas só a crise não justifica os 23% de perturbações, porque essa crise também se encontra noutros países e a prevalência é menor. Provavelmente Portugal não é assim tão semelhante aos países do Sul da Europa como se pensa, tem uma especificidade que merecia ser estudada. Somos muito mais reservados, introvertidos, há um maior sentimento de pessimismo, de dúvida sobre o futuro. O sentimento de que o país está mais fragilizado é maior. (ler mais)

O lado B da música portuguesa

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Baladeiro - Raul Solnado

Secundum "Ne destruxeris"

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Invectiva contra os maus juízes

1 Ao director do coro. Segundo «Não destruas».
De David. Elegia.

2 Será que decidis com justiça, altos poderes?
Será que julgais os humanos com rectidão?
3 Em vez disso, em vossos corações forjais a falsidade,
e com as vossas mãos sustentais a violência no país.

4 Os ímpios extraviaram-se desde o seio materno;
os que dizem mentiras erraram desde o seu nascimento.
5 O seu veneno é como o das víboras;
fazem-se surdos como as serpentes,
6 para não ouvirem a voz dos encantadores,
dos magos peritos em sortilégios.

7 Ó Deus, quebra-lhes os dentes!
Arranca, SENHOR, os queixais a esses leões!
8 Desapareçam como as águas que correm;
quando atirarem flechas, que as encontrem quebradas.
9 Que eles passem, como o caracol a desfazer-se em baba
e como um aborto, que não viu a luz do sol.
10 Antes que as suas marmitas sintam o calor
da lenha verde ou seca,
que um furacão os lance para longe.

11 O justo há-de alegrar-se ao ver-se vingado,
e, no sangue do ímpio, lavará os pés.
12 E os homens dirão: «Sim, existe recompensa para o justo;
de facto, há um Deus que faz justiça sobre a terra.»

Sl 58, 1-12
Difusora Bíblica, 4ª Edição, 2002

Morreu Jim Marshall

Posted by F. F. in


O fotógrafo de música Jim Marshall (na foto), que passou mais de 50 anos a captar imagens de lendas do rock como os Beatles, Bob Dylan e Janis Joplin, morreu em Nova Iorque aos 74 anos, segundo Aaron Zych, director de uma galeria que acolheu uma das últimas mostras com fotos de Marshall. O fotógrafo era aguardado na quarta-feira à noite num evento para promover o seu novo livro, em parceria com Timothy White. Aparentemente morreu sozinho, enquanto dormia no seu quarto de hotel em Nova Iorque, disse Zych. «O trabalho de Jim é lendário», afirmou o empresário. «No que diz respeito a fotografias de música, ele é o padrinho [do género].» A causa da morte ainda não é conhecida. De acordo com o seu site oficial, Marshall assinou as fotos de mais de 500 capas de disco. Ficou bastante conhecido pelas imagens feitas de Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival, em 1967, e em Woodstock, em 1969, onde foi o fotógrafo oficial dos The Who. Marshall também foi o único fotógrafo que teve acesso aos bastidores do que acabou por ser o último concerto dos Beatles, em São Francisco, em 1966.

Fonte: Diário Digital

Tu que o disseste, acusa-te

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Sim, nós não progredimos senão na ciência. E com isso o que progredimos deveras? Progrediram, em verdade, os nossos conhecimentos? Não progrediram: nós não sabemos nada mais, essencialmente, sobre o silencioso centro das coisas. Valeu então o progredirmos porque os progressos da ciência nos são úteis? Úteis como, e úteis em quê? Porque aumentaram o nosso conforto, a nossa felicidade? Julgais com verdadeira sinceridade que somos mais felizes do que os gregos, que a nossa vida tem mais conforto e alegria e beleza do que a deles? Não o julgais, bem o sei. Em que progredimos, portanto?
Transportamo-nos mais depressa de um ponto para o outro. Trocamos palavras mais rapidamente através de distâncias. Vestem-nos tecidos vindos de muito mais longe. Mas nem um grão mais de felicidade veio ter connosco. Nem uma gota mais de ciência refresca a nossa fronte. Se olharmos para o fundo do que sabemos, do que temos e do que somos, veremos que, perante o mundo e a vida, a nossa visão não é mais lúcida nem mais calma, que não somos felizes, que o medo da morte pesa sobre nós como decreto, que os laços da sensualidade riscam-nos sobre o corpo como outrora.


(...)


Confusos é tudo o que somos. Perdemos a visão lúcida do mundo, e a inteira visão lúcida de nós-mesmos. Enfebrecemos e envelhecemos. O que há de novo em nós, sobre o que a Grécia tinha, é a velhice.

Vidros no vidrão; Livros no livrão

Posted by TELEMAQUIA in



A destruição de milhares de livros pelas editoras portuguesas é "um massacre" que deve ser resolvido a curto prazo. Esta é a reacção de Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura, que explicou ao i a sua posição perante as notícias de que o Grupo Leya destruíu dezenas de milhares de livros antigos de autores como Jorge de Sena, Vasco Graça Moura ou Eugénio de Andrade.

"O Ministério da Cultura irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros, que afinal é uma prática regular e generalizada", afirmou a ministra ao i ontem à noite, à margem da cerimónia de entrega do Prémio Leya ao escritor luso-moçambicano Borges Coelho, em Maputo. Gabriela Canavilhas reconheceu que há um problema e garantiu que a sua resolução é uma prioridade no regresso a Portugal.

A polémica com o Grupo Leya já tinha surgido em Fevereiro, quando o antigo editor José da Cruz Santos denunciou a destruição de milhares de livros pela editora de Miguel Pais do Amaral ao "Jornal de Notícias". Mas foi esta semana que atingiu proporções de escândalo, por causa de um artigo de opinião no jornal "Público". Precisamente a semana em que o grupo editorial entrega o Prémio Leya em Moçambique.

Isaías Gomes Teixeira, administrador-delegado do grupo, explica porque é que a Leya decidiu destruir os livros. "É uma inevitabilidade e acontece com todas as editoras pelo mundo fora. Torna-se impossível mantê-los pelo custo operacional e de armazenagem." Os livros "não foram para o lixo", sublinha o responsável, "foram destruídos para reciclagem, para obter papel". Chegou a haver uma oferta para que chegassem a Timor, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros "disse não ter dinheiro para o transporte". Nesse lote "havia de tudo, livros amarelecidos, livros escolares que já não estavam de acordo com o plano nacional, amolgados..."

A questão dos custos e dos limites dos armazéns, referida por Isaías Gomes Teixeira, pode ser resolvida com acordos, considera Gabriela Canavilhas. O Governo vai tentar parcerias com transportadoras, para que os livros sejam doados sem que as editoras tenham encargos financeiros.

O presidente do júri do Prémio Leya, nada menos que Manuel Alegre, não quis comentar o caso específico das edições destruídas. No entanto, confirmou saber que esta é uma prática recorrente das editoras. "Fico muito triste, podia encontrar-se uma solução para resolver este problema", afirmou o poeta socialista, editado pela Dom Quixote, também do grupo Leya. "Devíamos enviar os livros, pelo menos alguns, para escolas, hospitais e prisões de países que partilham a mesma língua", frisou, sublinhando que não tem conhecimento de que qualquer das suas obras tenha sido destruída. O i tentou obter uma reacção de Miguel Pais do Amaral, presidente do grupo, mas não foi possível até à hora de fecho.

And now for something completely different... or not

Posted by C. in , ,




The Kansas City Public Library: http://www.kclibrary.org

Vende-se pulmão (óptimo estado)

Posted by C. in

A Câmara de Lisboa aprovou ontem a “expropriação amigável”, por parte das Redes Elétricas Nacionais (REN), de um terreno no parque florestal de Monsanto para a instalação de uma subestação elétrica, envolvendo uma indemnização de 115 mil euros. [Lusa, via Público]

Para o vereador comunista, Ruben de Carvalho, tratou-se da “pura consumação” do processo iniciado no ano passado e ao qual o PCP se opôs.

O vereador do CDS-PP, António Carlos Monteiro, classificou-o de “mais um ataque feito a Monsanto” e sublinhou as críticas que o provedor de Justiça teceu ao processo.

A deliberação consumou um processo polémico desde o início, tendo em Junho do ano passado os vereadores da oposição, que na ocasião estavam em maioria na Câmara, aprovado uma proposta apresentada pelo PCP para que a autarquia interpusesse uma providência cautelar contra a decisão do Governo.

Um parecer dos serviços jurídicos da autarquia concluiu, contudo, em Setembro, que a Câmara não tinha base suficiente para avançar com a providência cautelar.

Depois de uma queixa da Plataforma por Monsanto, o provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, concluiu que a operação, da iniciativa da REN, “precisava de obter do Conselho de Ministros a desafectação ao regime florestal que vigora para o Parque de Monsanto desde 1938”, não bastando “a suspensão parcial do Plano Director Municipal de Lisboa”.

O provedor de Justiça alertou “para o efeito cumulativo de várias operações urbanísticas sucessivamente empreendidas numa área que, supostamente, deveria manter-se incólume”.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo já se opusera à abertura de um novo acesso viário ao local, reforçou ainda a nota do provedor de Justiça.

Ele até "escreve" para a Lux Woman

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Vocês não sabem, mas o Fernando Pessoa participou no torneio de sueca promovido pelo Clube Atlético Campo de Ourique em 1922.

Funcionalismos

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Johannes Vermeer
Óleo sobre tela
45.5 X 41cm
Rijksmuseum Amsterdam

- Para que serve a arte? - perguntou alguém.

- Olhe, para vender iogurtes. - respondeu o outro.


Morreu J. D. Salinger

Posted by F. F. in


Jerome David Salinger, escritor norte-americano, morreu hoje aos 91 anos. Autor do romance "The Catcher in the Rye", obra publicada em 1951, Salinger era filho de pai judeu de origem polaca e de mãe escocesa-irlandesa.
Começou a escrever na escola secundária e publicou vários contos na década de 40, antes de combater na 2.ª Guerra Mundial. "Um dia ideal para o Peixe-Banana", o primeiro conto publicado na revista New Yorker, foi aclamado pela crítica e um incentivo para a obra literária que se lhe seguiu.
Logo após o lançamento de "The Catcher in the Rye", um sucesso imediato, o escritor enclausurou-se, recusou entrevistas e nunca mais voltou a publicar como antes.
O escritor morreu hoje de causas naturais aos 91 anos.

Fonte: ionline.pt

IMC de uma menina de 9 anos

Posted by Actia in


São Paulo Fashion Week, Brasil

Leya vai explorar Livraria Barata

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Grupo editorial quer revitalizar o espaço na Avenida de Roma, em Lisboa, dando mais atenção aos professores

O grupo editorial Leya e a Livraria Barata estabeleceram uma parceria para exploração daquele espaço na Avenida de Roma, em Lisboa. O acordo tem como objectivo a revitalização e dinamização da conhecida livraria, que é também um local histórico da capital. De acordo com um comunicado divulgado pela Leya, "é também objectivo fundamental desta parceria a manutenção do excelente serviço pelo qual a Livraria Barata é conhecida entre os seus clientes".

O acordo prevê, ainda, a instalação na cave, local onde já funcionou uma galeria de arte, de uma Loja do Professor, espaço que será dedicado aos professores e às editoras escolares integradas no grupo Leya, a saber Asa, Gailivro, Novagaia, Texto e Sebenta.

A Barata - Tabacaria, Papelaria, Livraria abriu as suas portas na avenida de Roma em 1957. Durante os anos 60 o espaço foi gerido por António Barata, que o tornou uma das mais emblemáticas livrarias de Lisboa, sobretudo no período do Estado Novo e da censura. Em 1986, o espaço foi remodelado e ampliado. Em 1991 António Barata foi distinguido com a Medalha de Ouro de Mérito Municipal. O fundador da Barata faleceu em 1992.

Edição de hoje do Diário de Notícias


COMENTÁRIO:

Qualquer dia servem-nos os livros em menus Big Mac ou Chicken Light com molho para batatas fritas. A Mac Donald's agradece-me a publicidade.

Mas o que dizer?

Na minha cidade natal, existem apenas duas livrarias. E o que está a ser feito das livrarias de Lisboa, capital de tudo? Não me venham com as tretas da uniformização económica, se as pessoas lêem "merda" é porque as alternativas não são badaladas aos sete ventos, nos cartazes, na televisão, nas ofertas com o Expresso e o Sol.

Já uma pessoa não pode conduzir no eixo norte-sul, que não fique, a alta velocidade, com os cartazes da Fúria Divina impressos na mente. A própria tabuleta, que indica a saída para a Praça de Espanha surgiu sob o epíteto PRAÇA DE ESPANHA, ou a Fúria Divina.

Infelizmente, as pessoas compram aquilo que se vende. E não posso censurar as pessoas que vão à Bertrand, por ignorarem a existência das grandes livrarias, que nem ficam a jeito, nem têm parques de estacionamento... mas posso censurar as Livrarias Bertrand, sendo que uma das duas livrarias existentes na minha cidade natal é uma filial da dita cuja, por não ter à venda mesmíssimamente NADA. Nem as edições novas da Antígona, Relógio de Água, Difel… sei lá… todas essas coisas boas e frescas que se andam a reeditar.

Isto é o quê, meus amigos?

Se já viajamos nas vias reservadas a automóveis e motociclos, isto é, vias equiparadas a auto-estradas, com a Fúria Divina a entrar-nos na mente, não estaremos a vivenciar a profecia de Ray Bradbury?

Isto já para não falar que daqui a meia dúzia de anos, se os plasmas continuarem a crescer desta forma gritante, a Fnac já não terá o seu cantinho para os livros, com os coffrets Caim, com oferta de loção corporal.

Permitam-me, mas viva à Trama, à Papelaria Pantufa, ao alfarrabista Romão da Praça das Flores, ao cantinho da Rua do Século, ao alfarrabista que tem sempre Pan Pipe como som ambiente, e a todos os outros, à Feira da Ladra, à Rua Anchieta nos Sábados de manhã, aos saldos da Assírio e Alvim e da Cotovia! Quero lá bem saber se as grandes vão à falência e põe a liquidação total a 1 euro! Ao menos vendem-se, não se compram. Viva a tudo que seja livro e não economia, mercado e capitação!

Caim no vício da leitura

Posted by Actia in , , ,

Algumas questões:



a) Por que é que o último livro de José Saramago põe toda a gente a ler, mesmo nos sítios mais inacreditáveis, como na esplanada do Chimarrão enquanto se servem vacas importadas do Brasil a fumegar num espeto?



b) Por que é que o último livro de José Saramago permite aos trabalhadores da Fnac porem em prática todas as suas competências em design de interiores, de forma a que o cliente não só saiba que o romance lidera o top dos mais vendidos, mas para que o saiba também da seguinte forma:

C
A


I

M,

sendo que cada letra corresponde a um livro, disposto num expositor com quatro prateleiras.





c) Por que é que o último livro de José Saramago lembrou às senhoras que gastam uma embalagem de laca Vidal Sassoon todos os Domingos de manhã, antes de irem para a Eucaristia Dominincal, que afinal existe uma Bíblia Sagrada, não apenas o Missal Romano, que a Bertrand até tem uma nova edição com umas badanas especias-tipo-papel-vegetal, como quem diz, que a Bíblia é de leitura transparente para todo o público crente e não-crente, com excepção para José Saramago, dado que a graduação dos seus óculos já não lhe permite distinguir versículos ao de leve camuflados na brancura de badana tão cintilante?



d) Caim que nem um patinho?

Banksy, a verdadeira arte urbana

Posted by F. F. in ,