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Woodstock, 1969

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para a Sara:

"And it's one, two, three, what are we fighting for
don't ask me I don't give a damn, next stop is Viet Nam
And it's five, six, seven, open up the pearly gates
ain't no time to wonder why, whoopee we're all gonna die!"

Country Joe McDonald - I feel like I'm fixing to die

La lengua de las mariposas

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A versão integral do conto de Manuel Rivas, que inspirou o filme, encontra-se disponível para consulta no portal de Cine y Educación da Universidad de Huelva, aqui.

1 de Novembro de 1755

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Terramoto de Lisboa de 1531: castigo divino pela presença dos judeus em Portugal
Terramoto de Lisboa de 1755: castigo divino pelos crimes da Inquisição

Apenas puseram pé na cidade, chorando a morte do seu benfeitor, sentem a terra tremer debaixo dos pés, o mar agitar-se mesmo dentro do porto e despedaçar os barcos ancorados; turbilhões de chamas e cinzas cobrem as ruas e as praças públicas; as casas desmoronam-se, os tectos esboroam-se sobre os alicerces, e os destroços dispersam-se. Trinta mil habitantes, de todas as idades e sexos, foram esmagados sob as ruínas. O marinheiro dizia, assobiando e praguejando.

- Haverá qualquer coisa a ganhar aqui!

- Qual será a razão suficiente deste fenómeno? - dizia Pangloss.

- Eis o fim do mundo - clamava Cândido.

Voltaire, Cândido

U.S. awesome history

Posted by F. F. in , ,



What a Wonderful World - Louis Armstrong
Bowling for Columbine, Michael Moore

A trágica história de António Serrão de Castro

Posted by F. F. in

Um dos casos mais impressionantes relativos a judeus portugueses no século XVII é o de António Serrão de Castro, estabelecido em Lisboa com botica, estabelecimento a que hoje chamaríamos "farmácia". Serrão de Castro provinha de uma família de cristãos novos mas toda a prática da sua vida dava a entender que renegara a religião dos seus antepassados mais remotos, o que procurava demonstrar, em sua casa, com a exibição de grande cópia de imagens de Cristo, de Nossa Senhora e de santos nas paredes e sobre um oratório. Além disso fora escolhido para tesoureiro da irmandade do Santíssimo da freguesia de S. Nicolau, o que o punha a coberto de qualquer suspeita de falso cristão. Sucedeu porém que certo Fernão Peres informou o Santo Ofício, com razão ou sem ela, de que Serrão de Castro vestia camisa lavada aos sábados, o que era sinal de judaísmo. O homem, já com sessenta e dois anos, foi preso,me sucessivamente duas irmãs que tinha, já idosas, mais seus quatro filhos, e também diversos frequentadores da botica que aí se reuniam para conversar e passar o tempo. Castro e seus familiares, sujeitos a torturas nas salas da Inquisição, acusaram-se uns aos outros e declararam tudo quanto os inquisidores pretendiam. Todos, menos um dos filhos que era estudante de Teologia e que talvez, por isso, fosse cristão convicto, foram submetidos àqueles martírios. Como porém Serrão de Castro não declarou entregar-se a práticas de judaísmo mantendo-se sempre na negativa a tal respeito, suportando os tormentos e implorando o amparo dos santos para aguentar as dores, o Santo Ofício considerou-o teimoso e embusteiro e manteve-o preso durante onze anos, de 1672 a 1682, nos seus cárceres. Entretanto foi obrigado a fazer parte de um auto político de fé e de envergar hábito de penitenciado para que as pessoas na rua, ao reconhecerem-no, o repelissem e injuriassem quando passassem por ele. Antes de sair em liberdade os inquisidores entregaram-lhe uma lista com a indicação das missas a que deveria passar a assistir daí para o futuro e das orações que deveria fazer, confiscaram-lhes os bens a favor do cofre do Santo Ofício, e só então o mandaram embora, cego e miserável. António Serrão de Castro era poeta, e é por essa razão que aqui o recordamos. A veia poética ajudou-o a suportar os onze anos de encerramento no cárcere, num cubículo mal arejado e mal cheiroso, partilhando a sua miserável comida com os ratos que passavam pelo sobrado. Os irrequietos companheiros proporcionaram-lhe a escrita de um poema, os Ratos da Inquisição, onde o poeta comenta:

Quando em rapaz me nascia
em minha boca um dentinho,
que me nascia um ratinho,
então minha mãe dizia;
mas agora que à porfia
caindo todos me vão,
vós, ratinhos, sem razão,
vindes com pressa não pouca
não a nascer-me na boca
mas a tirar-me dela o pão. (1)

É muito possível que Serrão de Castro pretendesse jogar às escondidas com as palavras, e que os ratos do poema não fossem os lépidos roedores que o espiavam no cárcere, mas os próprios inquisidores. Alguém assim o pensou ao ter notícia dos versos e deste modo o interpelou:

Judeu de mau proceder
que, se em teus versos discorro,
logo pareces cachorro
no ladrar e no morder.
Ainda espero ver-te arder
pois com tanta sem-razão
murmuras da Inquisição;
porém é força do teu erro
se te tratam como perro
que te vingues como cão. (2)

A janela do cárcere de Serrão de Castro deitava para um espaço privado de cujo solo se erguia o tronco de uma ameixoeira. O pobre homem pousava os olhos naquela árvore, e por ela media o tempo da sua solidão. Olhando-a através das grades da janela, dia após dia, durante mais de dez anos, viu-a encher-se de folhas, de flores e de frutos, sucessivamente, por onze anos. O prémio de tão amargurado sofrimento foi o belo soneto que nos legou:

Onze vezes de folhas revestida,
onze vezes de flores adornada,
onze vezes de frutos carregada
te vi, ameixoeira, aqui nascida.

Outras tantas também te vi despida,
de folhas, flores, frutos despojada,
pelo rigor do inverno saqueada
e seco tronco toda reduzida.

Também a mim me vi já revestido,
de folhas, flores, frutos adornado,
de amigos e parentes assistido.

De todos eis-me aqui tão desprezado;
mas tu voltas a ter o que hás perdido,
e eu não terei jamais o antigo estado. (3)


(1) O poema só foi publicado pela primeira vez duzentos anos mais tarde por Camilo Castelo Branco, em Os Ratos da Inquisição, Porto, 1883. O texto transcrito corresponde à 1.ª estância do Canto II do poema, p. 129.
(2) Camilo (...) não diz quem seja o poeta que tão odiosamente ripostou a Serrão Castro.
(3) Camilo, op. cit., p. 67-68.


N.B.: As notas correspondem ao número 277, 278 e 279 do livro.

Rómulo de Carvalho, O texto poético como documento social, Fundação Calouste Gulbenkian, p. 199-201.

Provavelmente os reis mais feios de Portugal

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D. João VI e D. Carlota Joaquina
Óleo de Manuel Dias de Oliveira

Pax Cultura, Pax Biospherica

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Where there is Peace, there is Culture;
Where there is Culture, there is peace.

Nicholas Roerich Museum - http://www.roerich.org

Um pequeno passo para o homem, um pequeno passo para a humanidade

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Em 19 de Julho de 1969, três americanos pisaram a lua e o mundo rejubilou.
Hoje, passados quarenta anos e um dia, não consigo esquecer as palavras de um velho sábio cá da zona. O Ti Januário, era assim que todos o tratavam, na sua sabedoria ultra-popular, costumava dizer-nos "Aquilo foi tudo gravado ali na Serra de Sintra!!".
Ao recordar estas palavras, parece-me que o capacete de Neil Armstrong é semelhante à boina do pastor Ti Januário.
Proteger a cabeça, eis uma necessidade humana.

Essa nobre leucemia

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[...] Na Idade Média, blasfemar era um pecado mortal, e os camponeses nunca se arriscavam a isso, mas os senhores não o evitavam, até que um dia um jesuíta, favorito do rei, os proibiu de usar o nome de Deus nas suas blasfémias predilectas. Eles contornaram esta dificuldade substituindo Deus por Azul (em francês, Dieu por Bleu, palavras com a mesma terminação). E foi assim que «par la mort de Dieu» (pela morte de Deus) se transformou em «morbleu». «Sacré Dieu» (Santo Deus) se transformou em «sacrebleu». «Par Dieu» (Por Deus) se transformou em «parbleu». «Par le sang de Dieu» (Pelo Sangue de Deus) transformou-se em «palsambleu», etc... A criandagem, que muitas vezes só entendia esta última imprecação, retinha apenas «sang bleu» (sangue azul). Como o uso destas imprecações era um privilégio da nobreza, para distinguir um nobre de um plebeu os criados diziam: «Aquele é um sangue azul!»

AA.VV., "Azul", Dicionário dos Símbolos, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Lisboa, Teorema, [s.d.], p.106.

Antónia ou António?

Posted by F. F. in


Antónia Rodrigues nasceu em Aveiro numa família muito pobre. A mãe, querendo ver-se livre de mais uma boca para sustentar, entregou-a a uma tia que morava em Lisboa. A pobre Antónia sofreu imenso porque a tia tratava-a com desprezo e crueldade. Farta de maus tratos, resolveu fugir. Mas para onde? O melhor era tentar sorte o mais longe possível! Planeou então embarcar para longe. Cortou o cabelo, comprou roupas de homem e fo i oferecer-se ao mestre de uma caravela que ia zarpar para o norte de África, carregada de trigo destinado a abastecer os portugueses que viviam no castelo de Mazagão. O mestre aceitou «aquele rapaz» que dizia chamar-se António Rodrigues e distribuiu-lhe tarefas de grumete. Durante a viagem trabalhou com tanto afinco que só recebeu elogios de toda a gente. Esfregava o convés, içava as velas e é de supor que quando subia aos mastros aproveitava o ruído do vento e das ondas para soltar gargalhadas ou mesmo gritos de alegria! Ao chegar a Mazagão viu-se envolvida numa rede de intrigas e não pôde voltar para bordo. Mas como não era pessoa que se atrapalhasse, assentou praça como soldado e depressa se distinguiu pela sua destreza e valentia. Essas qualidades, porém, não despertaram inveja. Antónia, ou António, sabia criar bom ambiente entre os companheiros de armas. O pior era à noite… a única hipótese de continuar a desempenhar o seu papel sem ser descoberta era dormir vestida! Deitava-se sempre de camisa e ceroulas. Os bons serviços prestados valeram-lhe ser promovida a cavaleiro e nessa qualidade tinha de sair do castelo para combater em campo aberto. E saía, de arma em punho, notabilizando-se pelas proezas cometidas. Assim ganhou fama e como associava à bravura uma simpatia natural e um trato muito amigável, começou a despertar paixões entre as poucas raparigas que viviam em Mazagão. Nessa altura é que tudo se complicou. Uma família que tinha uma filha solteira começou a convidar aquele jovem e amável cavaleiro para jantar e passar o serão, cobrindo-o de presentes, na esperança de que ele quisesse casar com a filha. Receando ser descoberta, Antónia preferiu confessar a verdade e toda a gente pasmou! Um casal bondoso recolheu-a então, as candidatas a namoradas tornaram-se suas amigas e algum tempo depois até arranjou noivo. Antónia regressou a Lisboa casada, feliz e cheia de histórias para contar. O rei achou piada e recompensou-a pelos serviços prestados na guerra como «António».


"Antónia ou António", In Na Crista da Onda (n.º15).