Darker than the deepest sea.

Posted by Edelweiss in



"In the manner of the young Romantic poets of the 19th century who died before their time, Drake is revered by many listeners today, with a following that spans generations. Baby boomers who missed him the first time around found much to revisit once they discovered him, and his pensive loneliness speaks directly to contemporary alternative rockers who share his sense of morose alienation."

AllMusic.com

Frases que nascem nas pedras

Posted by Clavel Rojo in , , , ,







Qual é a terra, qual é ela...?

Seikilos - Canção grega do século I

Posted by Edelweiss in ,



ΟΣΟΝ ΖΗΣ ΦΑΙΝΟΥ
ΜΗΔΕΝ ΟΛΩΣ ΣΥ ΛΥΠΟΥ

ΠΡΟΣ ΟΛΙΓΟΝ ΕΣΤΙ ΤΟ ΖΗΝ
ΤΟ ΤΕΛΟΣ Ο ΧΡΟΝΟΣ ΑΠΑΙΤΕΙ

do Génesis chinês.

Posted by Edelweiss in , ,

Era uma vez um gigante chamado Pan Gu. Habitava o imenso vazio onde nada existia e tudo era ausência. Nasceu num ovo enorme que se partiu e se separou em duas partes. A clara, branca e pálida ficou a pairar no espaço e formou o Céu, a gema, densa e amarela, caiu e deu origem à Terra. Pan Gu viveu durante dezoito mil anos e todos os dias crescia alguns palmos, sempre afastando o Céu da Terra. Ao aproximar-se a morte, chorou e as suas lágrimas transformaram-se nos rios Amarelo e Yangtsé. Depois, a respiração de Pan Gu assumiu-se como vento e nuvens, a sua voz como trovões, o seu olhar como relâmpagos.

Quando morreu, caiu pesado sobre a Terra. Os seus ossos espalharam-se e formaram os montes e montanhas, o seu olho direito subiu ao Céu e transmutou-se em sol, o seu olho esquerdo, em lua. Os cabelos e as barbas espalharam-se pelo universo e vieram a ser as estrelas e a Via Láctea, o seu suor, a chuva, os pêlos, deram as plantas e as árvores, as gorduras do gigante derreteram e originaram a água dos mares. Por último, o que restava do corpo, as entranhas de Pan Gu cobriram-se de vermes, milhões e milhões de vermes, a espécie humana.

In "Lao Zi, Confúcio e Buda, três vias da religiosidade chinesa", António Graça de Abreu.

Ver China ABC.

A diferença entre poesia e prosa

Posted by Clavel Rojo in ,

São diferentes a forma e o estilo, é a mesma mensagem de quem escreve. A mensagem é como o arroz. Quando se escreve em prosa cozinha-se o arroz, quando se escreve em poesia transforma-se o arroz em vinho de arroz. Cozido, o arroz não muda a sua forma, mas, transformado em vinho de arroz, muda de qualidade e de forma. O arroz cozido enche. Assim decorre o espaço de uma vida, é o curso normal da existência humana. O vinho, por seu lado, embebeda, faz tristes os felizes e felizes os tristes. O seu efeito é sublime, não tem explicação.

Wu Qiao, Dinastia Qing (trad. António Graça de Abreu)

Nota extremamente pessoal sobre a (re)leitura

Posted by Correspondente in , ,

Primeiro ponto:
Não sei o que é reler, nem sei sequer se sei o que é ler, mas enfim... continuemos a utilizar estes termos.
Segundo ponto, aquele que realmente interessa:
Neste tempo em que a fome pelo conhecimento faustesco assoma em cada olhar, nesta era em que cada leitura, como qualquer acto, se reveste de funcionalidade absoluta, nesta época de informação pele-de-cobra-descartável, o prazer já pouco deve a ele próprio.
Terceiro Ponto, o que é claramente pessoal:
Li uma quantidade considerável de livros nos últimos meses. Porém, apesar da grande quantidade de informação que me foi possível registar, poucos me deram leituras verdadeiramente prazerosas. Exceptuando o drama Manfredo (Lord Byron), e os poemas em prosa caídos no Spleen de Paris (Baudelaire), os momentos de arrebatamento rarearam.
Comecei a culpar-me, como seria de esperar, e a ilibar os grandes nomes que por mim passavam.
Mas eis que voltei a ler duas das obras que outrora me haviam levado a espasmos de prazer: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) e O Processo (Franz Kafka). Deixei de me culpar. A releitura libertou-me.


São eles que nos escolhem, não somos nós que os escolhemos... já dizia o outro.

Mas somos todos contra as peles, hã?

Posted by Clavel Rojo in ,

Venus in Furs
Leopold von Sacher-Masoch

My company was charming.

Opposite me by the massive Renaissance fireplace sat Venus; she was not a casual woman of the half-world, who under this pseudonym wages war against the enemy sex, like Mademoiselle Cleopatra, but the real, true goddess of love.

She sat in an armchair and had kindled a crackling fire, whose reflection ran in red flames over her pale face with its white eyes, and from time to time over her feet when she sought to warm them.

Her head was wonderful in spite of the dead stony eyes; it was all I could see of her. She had wrapped her marble-like body in a huge fur, and rolled herself up trembling like a cat.

"I don't understand it," I exclaimed, "It isn't really cold any longer. For two weeks past we have had perfect spring weather. You must be nervous."

"Much obliged for your spring," she replied with a low stony voice, and immediately afterwards sneezed divinely, twice in succession. "I really can't stand it here much longer, and I am beginning to understand—"

"What, dear lady?" [...]

Sobre a FCSH

Posted by Actia in ,



C. diz:
Podíamos encontrar-nos naquela antiga casa de banho que agora é uma sala.

POSTO DE GASOLINA

Posted by Edelweiss in ,

ao prof. rubim, por uma aula fantástica.

Poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a crina de um cavalo. Vêm mortos de sede. Julgo que se perderam no deserto e o seu destino é apenas terem pressa. Neste emprego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do mundo a acelerar-se pouco a pouco. Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?


Carlos de Oliveira
Trabalho Poético
Assírio & Alvim, 2003

Frases nascidas nas paredes, em Setembro de 2006

Posted by Actia in ,





A culpa é sempre do Sócrates

Posted by Correspondente in ,

"o homem é tão propenso ao sistema e à conclusão abstracta que está pronto a desfigurar propositadamente a verdade, está pronto a ser cego e surdo, só para justificar a sua lógica."

Fiodor Dostoiévski; Cadernos do Subterrâneo; tradução de Filipe Guerra e Nina Guerra; Assírio e Alvim; 2000
(o título do post serve apenas para aumentar o número de visitantes do blog, ou para outra coisa qualquer)

Go ask Alice when she's on drugs.

Posted by Edelweiss in ,

'You'll get used to it in time' said the Caterpillar; and it put the hookah into its mouth and began smoking again.
This time Alice waited patiently until it chose to speak again. In a minute or two the Caterpillar took the hookah out of its mouth and yawned once or twice, and shook itself. Then it got down off the mushroom, and crawled away in the grass, merely remarking as it went, `One side will make you grow taller, and the other side will make you grow shorter.'

Lewis Carroll, Alice in Wonderland, Chapter V



Quem vê caras...não vê corações

Posted by Correspondente in

Baboon and Young; Pablo Picasso; 1951
Se existem macacos com cara de carro, porque não podem existir Telémacos com cara de vassoura?

1 de Novembro de 1755

Posted by Edelweiss in , ,

Terramoto de Lisboa de 1531: castigo divino pela presença dos judeus em Portugal
Terramoto de Lisboa de 1755: castigo divino pelos crimes da Inquisição



Apenas puseram pé na cidade, chorando a morte do seu benfeitor, sentem a terra tremer debaixo dos pés, o mar agitar-se mesmo dentro do porto e despedaçar os barcos ancorados; turbilhões de chamas e cinzas cobrem as ruas e as praças públicas; as casas desmoronam-se, os tectos esboroam-se sobre os alicerces, e os destroços dispersam-se. Trinta mil habitantes, de todas as idades e sexos, foram esmagados sob as ruínas. O marinheiro dizia, assobiando e praguejando.
- Haverá qualquer coisa a ganhar aqui!
- Qual será a razão suficiente deste fenómeno? - dizia Pangloss.
- Eis o fim do mundo - clamava Cândido.


Voltaire, Cândido

A expressão "agarrar a ocasião pelos cabelos"

Posted by Edelweiss in , ,

AGARRAR A OCASIÃO PELOS CABELOS

Diz um provérbio que é preciso agarrar a ocasião pelos cabelos, porque ela não voltará, se a deixarmos passar. Isso significa que devemos agarrá-la por onde e como se possa. Os gregos e os romanos, em suas fábulas, descreviam a deusa Ocasião ou Fortuna como uma mulher nua, cega e calva, com asas nos pés, um deles sobre uma roda (a roda da Fortuna) e outro no ar. É, portanto, dificílima de agarrar. O fabulista Fedro diz que a Ocasião é calva, mas tem um tope de cabelos na testa, por onde convém segurá-la, e se uma vez escapa, Non ipse possit Jupiter reprehendere. O poeta grego Posídipo escreveu um epigrama, em que há um diálogo com a fortuna: "- Por que tua cabeleira está na testa? - Para que me agarrem quando me encontrarem. - E por trás porque que Zeus te fez calva? - Para que aqueles que me deixarem passar com meus pés alados não possam mais me agarrar". O poeta francês Tristan L'Hermite rimou: L'occasion est chauve et prompte à s'éloigner;/ Aussitôt qu'elle s'offre, il la faut empoigner (A ocasião é calva e pronta a fugir;/ Assim que se oferece, deve-se agarrá-la).

R. Magalhães Júnior, Dicionário de provérbios, locuções e ditos curiosos..., Editora Documentário, Rio de Janeiro