Falsos Telémacos

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Eu gostava do Dr. Margaride. Camarada do papá em Viana, muitas vezes lhe ouvira cantar, ao violão, a xácara do conde Ordonho. Tardes inteiras vaguara com ele poeticamente, pela beira da água, no Mosteiro, quando a mamã fazia raminhos silvestres à sombra dos amieiros. E mandou-me as amêndoas mal eu nasci, à noitinha, em Sexta-Feira da Paixão. Além disso, mesmo na minha presença, ele gabava francamente à titi o meu intelecto e a circunspecção dos meus modos.

- O nosso Teodorico, D. Patrocínio, é moço para deleitar uma tia... Vossa Excelência, minha rica senhora, tem aqui um Telémaco!

Eu corava, modesto.

Queirós, Eça de, A Relíquia, Colecção Mundo das Letras, Porto, Porto Editora, 2009, pp. 23, 24.

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1 comentários

Maravilha o seu cantinho.
Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até você.
Gostei muito do seu espaço. Eu não estou podendo ler tudo de uma vez porque a tela do computador atrapalha um pouco a minha visão, mas certamente voltarei mais vezes. O meu oftamologista pediu que desse um tempo da telinha... e eu sou fraca ?
O meu território já está demarcado.
Convido a dar uma espiada em "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER.." ( o seu cantinho de leitura), em:
http://www.silnunesprof.blogspot.com
Terei sempre uma história para contar.
Saudações Florestais !

27 de outubro de 2009 às 11:57

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