Ou, afinal, o que é a literatura?

Posted by Actia in ,

Para o Jorge.


Os Gregos - pois foi dos Gregos que falaram - ao fim e ao cabo, depois de se lavar a boca com todas as literaturas do mundo, incluindo chinesa e russa (mas estes eslavos não são civilizados), é sempre o sabor dos Gregos que fica. Durrant citou Ésquilo - Jacob, Sófocles. É verdade que nem os gregos teriam entendido, nem nenhum professor poderia deixar de apontar - enfim, não importa; para que serve o grego senão para se declamar aos gritos em Haverstocy Hill de madrugada?

Além disso, Timmy Durrant não escutara Sófocles, nem Jacob Ésquilo.

Davam-se ares, triunfantes; a ambos parecia que tinham lido todos os livros do mundo; que conheciam todos os pecados, as paixões, a alegria. As civilizações rodeavam-nos como flores prontas a ser colhidas. Vinham heras lamber-lhe os pés como ondas prontas para navegar. E passando os olhos por tudo isto no meio do nevoeiro, da luz dos candeeiros, das sombras de Londres, os dois rapazes decidiram em favor da Grécia.

«Devemos ser», disse Jacob, «as únicas pessoas do mundo que sabem o que os Gregos realmente queriam dizer».


WOOLF, Virginia, O Quarto de Jacob, tradução de Maria Teresa Guerreiro, Lisboa, Cotovia, 1989.

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2 comentários

Um Jacob a puxar para o lado grego? Não é muito convincente. :p

17 de setembro de 2009 às 21:49

Hahaha ;)

17 de setembro de 2009 às 23:09

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